
“Certo homem tinha dois filhos. O mais moço deles disse ao pai:
...dá-me a parte dos bens que me toca
... ajuntando tudo partiu... desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.
E, havendo ele dissipado tudo... começou a passar necessidades.
...Caindo em si, disse: ...Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei:
Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho;
trata-me como um dos teus empregados". (Lc. 15:11-19)
Algumas afirmações que ouvimos dos nossos pastores, nossos guias espirituais, das púlpitos das nossas igrejas, se tornaram comuns aos nossos ouvidos, e com o tempo, indiferentes ao nosso coração. Só nos damos conta da seriedade disso, quando a realidade nos esbofeteia o rosto e o choque do alerta explode em nossa mente e coração cobrando o preço da responsabilidade.
Ouvimos de nossos pastores: “Todo coração sem Deus é um campo missionário”. “Nossa Jerusalém é a nossa família.” Lembrando as particulares especificações na pregação “ para que ninguém se perca”. “Para salvação não basta trazer seus filhos à igreja”. “Mandar seus filhos aos domingos para igreja e ficar para ver a corrida de automóvel, fazer o almoço ou ver o término do jogo, é inútil na formação do seu caráter cristão”. Apesar das orientações, avisos e alertas, continuamos arriscando.
Para nossa tristeza, ouvimos pais e filhos justificando o descaso com o exemplo que dão e com a vida cristã que levam, pelas prioridades que estabeleceram, suprimindo o Dia do Senhor por descanso em lugar de estudo da Palavra e adoração em espírito e em verdade, por lazer em vez de culto racional. Quando muito, comparecem ao culto vespertino para cumprir uma enfadonha obrigação onde a clara intenção é receber e não oferecer alguma coisa, ignorando assim o alerta de Deus sobre essa atitude como adoradores: “quando vindes para comparecerdes perante mim, quem requereu de vós isto...?...não posso suportar a iniqüidade e o ajuntamento solene!...a minha alma as aborrece, já me são pesadas; estou cansado de as sofrer”. (Isaías 1:12-14).
Tenho orado e me preocupado com filhos nascidos em lares cristãos. Parece incoerente esta afirmação vir de uma mãe cristã cuja descendência é parte dessa realidade – meus quatro filhos nasceram de pais cristãos. São filhos de pastor e recebem dose dobrada por conta disso. As influências e responsabilidades de ter pais crentes e além disso serem comprometidos com o exercício do ministério. E vem do exercício do ministério, o conhecimento de uma das mais duras realidades enfrentadas por qualquer guia espiritual em fazer valer, em tempos como estes, os princípios e os valores da Palavra de Deus para as famílias cristãs que pastoreia. É quase a regra, e não a exceção, ter na igreja famílias com filhos afastados dos ensinos do Evangelho, longe da igreja e vivendo em desarmonia com seus pais. Existe , e está acontecendo agora mesmo, uma guerra sem tréguas contra a vida saudável em família, onde casais, pais e filhos vivem em harmonia e obediência ao Senhor. Testemunhamos muitas derrotas como resultado dessas batalhas travadas contra aqueles a quem mais amamos. Pois temos descoberto que ao longo de nossa vida uns com os outros, desaprendemos como preservá-los e protegê-los. O resultado é: a carne, o mundo e o diabo os seduz, alcança, envolve, engana, derruba, derrota e às vezes lhes tira literalmente a vida. Alguns destes filhos tiveram suas jovens vidas ceifadas pela morte em conseqüência do pecado.
Quando ensino sobre testemunho e salvação, costumo afirmar que filho de crente não é “crentinho”. Se ele não é salvo, é perdido, porque não se vai para o céu por convivência com salvos ou por “osmose espiritual”. Mas, a maior parte do tempo vivemos como se estas fossem possibilidades reais.
Temos quatros filhos que o Senhor nos deu. São filhos de pastor e na casa de pastor estas verdades precisam valer mais que em outros lugares, pois antes de sermos pastores, somos pais. O ministério é um compromisso que pode cessar enquanto que o sacerdócio dos pais dura, depois que nascem os filhos o tempo de suas vidas. Com nosso filho, de modo mais evidente e insistente, o pai sempre se ocupou e se preocupou em apresentar-lhe o plano de salvação, a ponto de tornar-se parte das “atividades da semana”, perguntar-lhe sobre sua certeza de vida eterna com Jesus. Esta prática permeou sua infância e pré-adolescência. Valeu cada momento de zelo, temor e acompanhamento amoroso e insistente para ver nossas filhas e filho convertidos, batizados e servindo a Deus, a sua igreja e ao seu povo.
Hoje, Leonardo serra fileiras entre os separados pelo Senhor para servi-lo como pastor e missionário. As filhas, Luciana e Laura, servem ao Senhor como levitas na área da música. Lília, a primogênita – nosso bebê down – venceu o medo de água e se batizou num lindo testemunho de fé e amor por Jesus.
Zelar pela vida espiritual de filhos recebidos do Senhor é uma responsabilidade para todo pai e mãe crente. É certo que não podemos decidir por eles, aceitar a Jesus como Salvador, mas podemos testemunhar, falar e ensinar as verdades em que cremos e que experimentamos no exercício da nossa fé. Devemos buscar causar um grande impacto com nossa vida espiritual na vida de nossos filhos. A aprendizagem gerada pelo exemplo, resulta em raízes mais profundas do ensino que firma os passos do filho no “caminho que deve andar”. Eles aprendem nos observando e este é um ensino poderoso, que deita raízes na memória de quem viu além das palavras, nas atitudes de quem deixa por legado o exemplo da vida, que a fé não é abstrata em suas expressões mais puras. Ela se concretiza nos gestos, nas expressões dos lábios, no carinho, na forma de acolher. Desta forma, o Deus invisível pode ser visto, sentido, amado, descoberto e conhecido. Não é minha intenção culpar os pais por todo afastamento ou desvio dos filhos. Nem tão pouco eximir os filhos que se desviaram do propósito de Deus para suas vidas, da responsabilidade pessoal de cada um. Afinal, cada um que faz uma escolha é responsável por ela. É por conviver a cada ministério com a repetição destas situações que sinto ser urgente corrigir a parcela de contribuição dos pais e das igrejas, para que eles e os filhos se previnam dos sofrimentos que possam acontecer no futuro, por escolhas e atitudes erradas do passado e do presente.
Que há muitos pródigos entre nós, não resta dúvida. Mas o que temos feito a este respeito? Quanto das nossas orações leva cada um à presença daquele que pode vê-los, sondá-los e amá-los, até que eles caiam em si e decidam retornar? Quantos de nós realmente se importa? Quantos os amam apesar de como são e estão? Quantos realmente desejam o retorno deles? Quantos têm fé a ponto de cuidar dos planos para celebrar a volta de cada um? Estamos preparados para acolhê-los? Nosso amor por eles é maior do que a nossa censura ao seu comportamento e decisões erradas? Eles podem confiar na nossa capacidade de aceitação, a ponto de não recear decidir que é hora de voltar para sua família de fé, a casa do Pai?
Particularmente receio escrever a resposta para todas estas perguntas. Temo, para minha vergonha, que a maioria delas seria negativa se fossem realmente honestas.
Por isso espero que Deus traga aos nossos corações constrangimento tal que nos conduza ao arrependimento, confissão destes pecados e mudança que nos faça experimentar a transformação que nos associe ao Senhor, na estrada da esperança de um amor que tudo espera, crê e nunca desiste dos pródigos, a quem, sem dúvida, ele amou e ama. Pelos quais pagou o preço mais alto que podia para resgatá-los da perdição eterna – a morte do seu Filho Unigênito.
Léa de Souza dos Reis
São Luis, 20 de outubro de 2008.
...dá-me a parte dos bens que me toca
... ajuntando tudo partiu... desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.
E, havendo ele dissipado tudo... começou a passar necessidades.
...Caindo em si, disse: ...Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei:
Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho;
trata-me como um dos teus empregados". (Lc. 15:11-19)
Algumas afirmações que ouvimos dos nossos pastores, nossos guias espirituais, das púlpitos das nossas igrejas, se tornaram comuns aos nossos ouvidos, e com o tempo, indiferentes ao nosso coração. Só nos damos conta da seriedade disso, quando a realidade nos esbofeteia o rosto e o choque do alerta explode em nossa mente e coração cobrando o preço da responsabilidade.
Ouvimos de nossos pastores: “Todo coração sem Deus é um campo missionário”. “Nossa Jerusalém é a nossa família.” Lembrando as particulares especificações na pregação “ para que ninguém se perca”. “Para salvação não basta trazer seus filhos à igreja”. “Mandar seus filhos aos domingos para igreja e ficar para ver a corrida de automóvel, fazer o almoço ou ver o término do jogo, é inútil na formação do seu caráter cristão”. Apesar das orientações, avisos e alertas, continuamos arriscando.
Para nossa tristeza, ouvimos pais e filhos justificando o descaso com o exemplo que dão e com a vida cristã que levam, pelas prioridades que estabeleceram, suprimindo o Dia do Senhor por descanso em lugar de estudo da Palavra e adoração em espírito e em verdade, por lazer em vez de culto racional. Quando muito, comparecem ao culto vespertino para cumprir uma enfadonha obrigação onde a clara intenção é receber e não oferecer alguma coisa, ignorando assim o alerta de Deus sobre essa atitude como adoradores: “quando vindes para comparecerdes perante mim, quem requereu de vós isto...?...não posso suportar a iniqüidade e o ajuntamento solene!...a minha alma as aborrece, já me são pesadas; estou cansado de as sofrer”. (Isaías 1:12-14).
Tenho orado e me preocupado com filhos nascidos em lares cristãos. Parece incoerente esta afirmação vir de uma mãe cristã cuja descendência é parte dessa realidade – meus quatro filhos nasceram de pais cristãos. São filhos de pastor e recebem dose dobrada por conta disso. As influências e responsabilidades de ter pais crentes e além disso serem comprometidos com o exercício do ministério. E vem do exercício do ministério, o conhecimento de uma das mais duras realidades enfrentadas por qualquer guia espiritual em fazer valer, em tempos como estes, os princípios e os valores da Palavra de Deus para as famílias cristãs que pastoreia. É quase a regra, e não a exceção, ter na igreja famílias com filhos afastados dos ensinos do Evangelho, longe da igreja e vivendo em desarmonia com seus pais. Existe , e está acontecendo agora mesmo, uma guerra sem tréguas contra a vida saudável em família, onde casais, pais e filhos vivem em harmonia e obediência ao Senhor. Testemunhamos muitas derrotas como resultado dessas batalhas travadas contra aqueles a quem mais amamos. Pois temos descoberto que ao longo de nossa vida uns com os outros, desaprendemos como preservá-los e protegê-los. O resultado é: a carne, o mundo e o diabo os seduz, alcança, envolve, engana, derruba, derrota e às vezes lhes tira literalmente a vida. Alguns destes filhos tiveram suas jovens vidas ceifadas pela morte em conseqüência do pecado.
Quando ensino sobre testemunho e salvação, costumo afirmar que filho de crente não é “crentinho”. Se ele não é salvo, é perdido, porque não se vai para o céu por convivência com salvos ou por “osmose espiritual”. Mas, a maior parte do tempo vivemos como se estas fossem possibilidades reais.
Temos quatros filhos que o Senhor nos deu. São filhos de pastor e na casa de pastor estas verdades precisam valer mais que em outros lugares, pois antes de sermos pastores, somos pais. O ministério é um compromisso que pode cessar enquanto que o sacerdócio dos pais dura, depois que nascem os filhos o tempo de suas vidas. Com nosso filho, de modo mais evidente e insistente, o pai sempre se ocupou e se preocupou em apresentar-lhe o plano de salvação, a ponto de tornar-se parte das “atividades da semana”, perguntar-lhe sobre sua certeza de vida eterna com Jesus. Esta prática permeou sua infância e pré-adolescência. Valeu cada momento de zelo, temor e acompanhamento amoroso e insistente para ver nossas filhas e filho convertidos, batizados e servindo a Deus, a sua igreja e ao seu povo.
Hoje, Leonardo serra fileiras entre os separados pelo Senhor para servi-lo como pastor e missionário. As filhas, Luciana e Laura, servem ao Senhor como levitas na área da música. Lília, a primogênita – nosso bebê down – venceu o medo de água e se batizou num lindo testemunho de fé e amor por Jesus.
Zelar pela vida espiritual de filhos recebidos do Senhor é uma responsabilidade para todo pai e mãe crente. É certo que não podemos decidir por eles, aceitar a Jesus como Salvador, mas podemos testemunhar, falar e ensinar as verdades em que cremos e que experimentamos no exercício da nossa fé. Devemos buscar causar um grande impacto com nossa vida espiritual na vida de nossos filhos. A aprendizagem gerada pelo exemplo, resulta em raízes mais profundas do ensino que firma os passos do filho no “caminho que deve andar”. Eles aprendem nos observando e este é um ensino poderoso, que deita raízes na memória de quem viu além das palavras, nas atitudes de quem deixa por legado o exemplo da vida, que a fé não é abstrata em suas expressões mais puras. Ela se concretiza nos gestos, nas expressões dos lábios, no carinho, na forma de acolher. Desta forma, o Deus invisível pode ser visto, sentido, amado, descoberto e conhecido. Não é minha intenção culpar os pais por todo afastamento ou desvio dos filhos. Nem tão pouco eximir os filhos que se desviaram do propósito de Deus para suas vidas, da responsabilidade pessoal de cada um. Afinal, cada um que faz uma escolha é responsável por ela. É por conviver a cada ministério com a repetição destas situações que sinto ser urgente corrigir a parcela de contribuição dos pais e das igrejas, para que eles e os filhos se previnam dos sofrimentos que possam acontecer no futuro, por escolhas e atitudes erradas do passado e do presente.
Que há muitos pródigos entre nós, não resta dúvida. Mas o que temos feito a este respeito? Quanto das nossas orações leva cada um à presença daquele que pode vê-los, sondá-los e amá-los, até que eles caiam em si e decidam retornar? Quantos de nós realmente se importa? Quantos os amam apesar de como são e estão? Quantos realmente desejam o retorno deles? Quantos têm fé a ponto de cuidar dos planos para celebrar a volta de cada um? Estamos preparados para acolhê-los? Nosso amor por eles é maior do que a nossa censura ao seu comportamento e decisões erradas? Eles podem confiar na nossa capacidade de aceitação, a ponto de não recear decidir que é hora de voltar para sua família de fé, a casa do Pai?
Particularmente receio escrever a resposta para todas estas perguntas. Temo, para minha vergonha, que a maioria delas seria negativa se fossem realmente honestas.
Por isso espero que Deus traga aos nossos corações constrangimento tal que nos conduza ao arrependimento, confissão destes pecados e mudança que nos faça experimentar a transformação que nos associe ao Senhor, na estrada da esperança de um amor que tudo espera, crê e nunca desiste dos pródigos, a quem, sem dúvida, ele amou e ama. Pelos quais pagou o preço mais alto que podia para resgatá-los da perdição eterna – a morte do seu Filho Unigênito.
Léa de Souza dos Reis
São Luis, 20 de outubro de 2008.



