segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Nós e Nossos Pródigos...


“Certo homem tinha dois filhos. O mais moço deles disse ao pai:
...dá-me a parte dos bens que me toca
... ajuntando tudo partiu... desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.
E, havendo ele dissipado tudo... começou a passar necessidades.
...Caindo em si, disse: ...Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei:
Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho;
trata-me como um dos teus empregados".
(Lc. 15:11-19)

Algumas afirmações que ouvimos dos nossos pastores, nossos guias espirituais, das púlpitos das nossas igrejas, se tornaram comuns aos nossos ouvidos, e com o tempo, indiferentes ao nosso coração. Só nos damos conta da seriedade disso, quando a realidade nos esbofeteia o rosto e o choque do alerta explode em nossa mente e coração cobrando o preço da responsabilidade.
Ouvimos de nossos pastores: “Todo coração sem Deus é um campo missionário”. “Nossa Jerusalém é a nossa família.” Lembrando as particulares especificações na pregação “ para que ninguém se perca”. “Para salvação não basta trazer seus filhos à igreja”. “Mandar seus filhos aos domingos para igreja e ficar para ver a corrida de automóvel, fazer o almoço ou ver o término do jogo, é inútil na formação do seu caráter cristão”. Apesar das orientações, avisos e alertas, continuamos arriscando.
Para nossa tristeza, ouvimos pais e filhos justificando o descaso com o exemplo que dão e com a vida cristã que levam, pelas prioridades que estabeleceram, suprimindo o Dia do Senhor por descanso em lugar de estudo da Palavra e adoração em espírito e em verdade, por lazer em vez de culto racional. Quando muito, comparecem ao culto vespertino para cumprir uma enfadonha obrigação onde a clara intenção é receber e não oferecer alguma coisa, ignorando assim o alerta de Deus sobre essa atitude como adoradores: “quando vindes para comparecerdes perante mim, quem requereu de vós isto...?...não posso suportar a iniqüidade e o ajuntamento solene!...a minha alma as aborrece, já me são pesadas; estou cansado de as sofrer”. (Isaías 1:12-14).
Tenho orado e me preocupado com filhos nascidos em lares cristãos. Parece incoerente esta afirmação vir de uma mãe cristã cuja descendência é parte dessa realidade – meus quatro filhos nasceram de pais cristãos. São filhos de pastor e recebem dose dobrada por conta disso. As influências e responsabilidades de ter pais crentes e além disso serem comprometidos com o exercício do ministério. E vem do exercício do ministério, o conhecimento de uma das mais duras realidades enfrentadas por qualquer guia espiritual em fazer valer, em tempos como estes, os princípios e os valores da Palavra de Deus para as famílias cristãs que pastoreia. É quase a regra, e não a exceção, ter na igreja famílias com filhos afastados dos ensinos do Evangelho, longe da igreja e vivendo em desarmonia com seus pais. Existe , e está acontecendo agora mesmo, uma guerra sem tréguas contra a vida saudável em família, onde casais, pais e filhos vivem em harmonia e obediência ao Senhor. Testemunhamos muitas derrotas como resultado dessas batalhas travadas contra aqueles a quem mais amamos. Pois temos descoberto que ao longo de nossa vida uns com os outros, desaprendemos como preservá-los e protegê-los. O resultado é: a carne, o mundo e o diabo os seduz, alcança, envolve, engana, derruba, derrota e às vezes lhes tira literalmente a vida. Alguns destes filhos tiveram suas jovens vidas ceifadas pela morte em conseqüência do pecado.
Quando ensino sobre testemunho e salvação, costumo afirmar que filho de crente não é “crentinho”. Se ele não é salvo, é perdido, porque não se vai para o céu por convivência com salvos ou por “osmose espiritual”. Mas, a maior parte do tempo vivemos como se estas fossem possibilidades reais.
Temos quatros filhos que o Senhor nos deu. São filhos de pastor e na casa de pastor estas verdades precisam valer mais que em outros lugares, pois antes de sermos pastores, somos pais. O ministério é um compromisso que pode cessar enquanto que o sacerdócio dos pais dura, depois que nascem os filhos o tempo de suas vidas. Com nosso filho, de modo mais evidente e insistente, o pai sempre se ocupou e se preocupou em apresentar-lhe o plano de salvação, a ponto de tornar-se parte das “atividades da semana”, perguntar-lhe sobre sua certeza de vida eterna com Jesus. Esta prática permeou sua infância e pré-adolescência. Valeu cada momento de zelo, temor e acompanhamento amoroso e insistente para ver nossas filhas e filho convertidos, batizados e servindo a Deus, a sua igreja e ao seu povo.
Hoje, Leonardo serra fileiras entre os separados pelo Senhor para servi-lo como pastor e missionário. As filhas, Luciana e Laura, servem ao Senhor como levitas na área da música. Lília, a primogênita – nosso bebê down – venceu o medo de água e se batizou num lindo testemunho de fé e amor por Jesus.
Zelar pela vida espiritual de filhos recebidos do Senhor é uma responsabilidade para todo pai e mãe crente. É certo que não podemos decidir por eles, aceitar a Jesus como Salvador, mas podemos testemunhar, falar e ensinar as verdades em que cremos e que experimentamos no exercício da nossa fé. Devemos buscar causar um grande impacto com nossa vida espiritual na vida de nossos filhos. A aprendizagem gerada pelo exemplo, resulta em raízes mais profundas do ensino que firma os passos do filho no “caminho que deve andar”. Eles aprendem nos observando e este é um ensino poderoso, que deita raízes na memória de quem viu além das palavras, nas atitudes de quem deixa por legado o exemplo da vida, que a fé não é abstrata em suas expressões mais puras. Ela se concretiza nos gestos, nas expressões dos lábios, no carinho, na forma de acolher. Desta forma, o Deus invisível pode ser visto, sentido, amado, descoberto e conhecido. Não é minha intenção culpar os pais por todo afastamento ou desvio dos filhos. Nem tão pouco eximir os filhos que se desviaram do propósito de Deus para suas vidas, da responsabilidade pessoal de cada um. Afinal, cada um que faz uma escolha é responsável por ela. É por conviver a cada ministério com a repetição destas situações que sinto ser urgente corrigir a parcela de contribuição dos pais e das igrejas, para que eles e os filhos se previnam dos sofrimentos que possam acontecer no futuro, por escolhas e atitudes erradas do passado e do presente.
Que há muitos pródigos entre nós, não resta dúvida. Mas o que temos feito a este respeito? Quanto das nossas orações leva cada um à presença daquele que pode vê-los, sondá-los e amá-los, até que eles caiam em si e decidam retornar? Quantos de nós realmente se importa? Quantos os amam apesar de como são e estão? Quantos realmente desejam o retorno deles? Quantos têm fé a ponto de cuidar dos planos para celebrar a volta de cada um? Estamos preparados para acolhê-los? Nosso amor por eles é maior do que a nossa censura ao seu comportamento e decisões erradas? Eles podem confiar na nossa capacidade de aceitação, a ponto de não recear decidir que é hora de voltar para sua família de fé, a casa do Pai?
Particularmente receio escrever a resposta para todas estas perguntas. Temo, para minha vergonha, que a maioria delas seria negativa se fossem realmente honestas.
Por isso espero que Deus traga aos nossos corações constrangimento tal que nos conduza ao arrependimento, confissão destes pecados e mudança que nos faça experimentar a transformação que nos associe ao Senhor, na estrada da esperança de um amor que tudo espera, crê e nunca desiste dos pródigos, a quem, sem dúvida, ele amou e ama. Pelos quais pagou o preço mais alto que podia para resgatá-los da perdição eterna – a morte do seu Filho Unigênito.

Léa de Souza dos Reis
São Luis, 20 de outubro de 2008.

Comunhão é... ser parte de uma mesma visão


“Se por estarmos em Cristo nós temos alguma motivação,
alguma exortação de amor, alguma comunhão no Espírito,
alguma profunda afeição e compaixão, completem a minha alegria,
tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude.
Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus,”
(Fp. 2:1,2,5)

É de importância vital que mantenhamos relacionamentos sinceros e profundos com aqueles que nos cercam. Referimos-nos ao ato de estender a mão e o coração uns aos outros. Me deixar absorver pela família de Deus sendo participante (e não expectador), relacionando-me com os outros, trabalhando com os outros, cuidando de pessoas que conheço e amo. “Não é um processo automático, temos a responsabilidade de criar essa situação”.
Como pessoas e como igreja, precisamos levar a sério a questão de desenvolvermos integração e relacionamentos melhores. É hora de nos esforçar para que a koinonia seja fato e não discurso.
Quando os hebreus saíram do Egito para Canaã, guiados fielmente por Deus, eles constituíam um grupo desunido, sem coesão. Na volta do reconhecimento da terra, mais uma vez entre os espias, fica patente as diferenças de visão, principalmente no que deveria ser comum – TOMAR POSSE DA TERRA. Dos doze líderes enviados, dois disseram: “Vamos lá, nós venceremos!” Mas, dez deles discordaram: “Não! Vamos morrer, somos fracos. Voltemos para o Egito”. Depois disso vagaram pelo deserto quarenta anos, até que a velha geração morresse.
Com a nova geração, após a morte de Moisés, o novo líder estabelecido por Deus é Josué, um dos dois espias a dizerem: Nós venceremos! “Depois da morte de Moisés, servo do SENHOR, disse o SENHOR a Josué, filho de Num, auxiliar de Moisés: Meu servo Moisés está morto. Agora, pois, você e todo este povo preparem-se para atravessar o rio Jordão e entrar na terra que eu estou para dar aos israelitas. Como prometi a Moisés, todo lugar onde puserem os pés eu darei a vocês. Seu território se estenderá do deserto ao Líbano, e do grande rio, o Eufrates, toda a terra dos hititas, até o mar Grande, no oeste. Ninguém conseguirá resistir a você todos os dias da sua vida. Assim como estive com Moisés, estarei com você; nunca o deixarei, nunca o abandonarei. Seja forte e corajoso, porque você conduzirá este povo para herdar a terra que prometi sob juramento aos seus antepassados. Somente seja forte e muito corajoso! Tenha o cuidado de obedecer a toda a lei que o meu servo Moisés lhe ordenou; não se desvie dela, nem para a direita nem para a esquerda, para que você seja bem-sucedido por onde quer que andar. Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem-sucedido. Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem desanime, pois o SENHOR, o seu Deus, estará com você por onde você andar" (Josué 1:1-9). Palavras encorajadoras estas. Deveriam gerar neles, forte motivação, contudo, eles precisavam mais que isso, precisavam ligar-se mais e tornar-se uma unidade solidamente comprometida, pronta a conquistar e tomar posse da terra da promessa.
Muitas vezes vivemos a vida cristã de forma tão rotineira que não nos damos conta do quanto nos distanciamos do propósito estabelecido por Jesus para a Sua igreja. Um dos hinos mais cantados pelos crentes brasileiros nas campanhas missionários dos últimos anos é “Ide e Pregai” – e ao cantá-lo, repetimos emocionados “para que o mundo creia em Deus”. O profeta Joel já afirmava – “E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo...” (Joel 2:32), mas o apóstolo Paulo em sua epístola aos romanos questiona a afirmação da profecia, relacionando-a com o nível da responsabilidade de todos os que crêem em Cristo de IR, CONTRIBUIR e ORAR; para que seja real o que cantamos “IDE e PREGAI” – “...que o mundo creia”. “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: "Como são belos os pés dos que anunciam boas novas! No entanto, nem todos os israelitas aceitaram as boas novas. Pois Isaías diz: "Senhor, quem creu em nossa mensagem?" (Romanos 10:14-16).
Que relação fazemos entre COMUNHÃO bíblica (ter tudo em comum), PREGAÇÃO e ENSINO (compartilhar as Boas Novas na autoridade de Jesus – vivendo o que se ensina) e MISSÕES (Levar Jesus, único Caminho, Verdade e Vida, para todos, até os confins da terra?) Qual a relação entre Abraão, Moisés, Josué, o povo de Israel e a igreja de Cristo do terceiro milênio? O que há de COMUM em tudo isto? Qual o elo que forma a corrente entre as eras, a saga de um povo nômade (espalhado geográfica e espiritualmente), a igreja – indivíduo e a igreja Corpo do Senhor?
Resumindo radicalmente, o elo comum que liga todas as partes e marcos da nossa história com o Pai é o PROPÓSITO DE DEUS de abençoar com a oportunidade da salvação, todo ser humano.
A visão comum que marcou as vidas e experiências de todos que creram, começando com Abraão, passando por mim, incluindo você e os que ainda haverão de crer; está na compreensão da importância do engajamento e compromisso de cada filho de Deus.
Abraão comprometeu-se com Deus, pela fé, engajando-se em seu propósito, para ser bênção para todas as famílias da terra. Moisés assumiu libertar o povo hebreu da escravidão egípcia e guiá-lo à Terra Prometida. Com a morte de Moisés, Josué recebe do Senhor a incumbência de liderar e guiar o povo hebreu na posse de Canaã, mantendo a prática e a obediência aos ensinos passados por Deus a Moisés. O povo de Israel é convocado a formar e ser a “nação santa”. O povo outrora escravo, deverá viver sua liberdade de modo a influenciar os outros povos ao seu redor, pela pureza e lealdade ao Único Deus Verdadeiro, obedecendo as suas leis e submetendo-se ao Seu governo. À igreja, Corpo de Cristo, coube continuar a missão de Jesus, de alcançar com o evangelho o homem perdido. Amando-o por inteiro – corpo, alma e espírito – ensinando-o, guiando-o e tornando-o capaz de exercer influência no mundo em que vive como salvo.
Este PROPÓSITO permeou a vida de todos os que creram nas promessas e profecias, dos que viram e conviveram com o Verbo encarnado, dos que formaram a igreja primitiva que perseguida persistiu em proteger a “corrente” construída e mantida através das épocas por homens e mulheres usados pelo Senhor em manter viva a fé, para ver cumprida a missão de “buscar e salvar o que se havia perdido”. O PROPÓSITO de Deus continua o mesmo, eu e você, com certeza, estamos nos planos dele como instrumentos que continuarão mantendo a corrente invisível que torna a COMUNHÃO a mais bela das realidades espirituais, só discernida por aqueles que, ao receberem a salvação, comprometeram-se a ser parte da mesma visão.

Lea de Souza dos Reis

São Luis, 20 de outubro de 2008.

O Deus das Chances e Oportunidades


“Portanto, eu vos julgarei, a cada um conforme os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o Senhor Deus. Vinde, e convertei-vos de todas as vossas transgressões, para que a iniqüidade não vos leve à perdição.
Lançai de vós todas as vossas transgressões que cometestes contra mim; e criai em vós um coração novo e um espírito novo; pois, por que morrereis, ó casa de Israel, Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus; convertei-vos, pois, e vivei.”(
Ezequiel 18:30-32)

O Deus que conheço é o Deus das oportunidades e da provisão para todas as necessidades. Ele torna tudo possível. Mesmo aquilo que consideramos não ser. Ele completa nossa vida em cada pequeno detalhe, mesmo aqueles que consideramos insignificantes para que se importe.
Tenho experimentado pessoalmente, em minha vida com Cristo, este Deus que se importa, que realiza sonhos e toma sobre Si nossos fardos, dores e feridas. Um Deus que me permite a liberdade de ser quem sou, dizer o que penso e decidir meus caminhos; mesmo quando isso contraria Sua vontade “boa, perfeita e agradável”.
E quando minhas escolhas falharam e me senti desamparada, Ele não me abandonou. Suas mãos me ergueram e Seus braços me abrigaram, até que me recuperasse e pudesse refletir e retomar meu caminho com Ele, mais forte e mais consciente de que, mesmo quando não sinto, Deus está agindo; cumprindo em minha vida a promessa do Seu Filho, de estar comigo “todos os dias, até a consumação dos séculos”.
Se você fez uma escolha errada que desagradou o Senhor, saiba que tudo tem conserto. Ele sempre nos recebe e seu amor é tão grande quanto sua capacidade de perdoar e apagar nossos pecados. Busque-o e experimente como eu, a ação do único Deus que se importa e nunca, nunca desiste de você.
Com carinho.

Léa de Souza dos Reis
São Luis, 20 de outubro de 2008.

sábado, 11 de outubro de 2008

Sou Jovem, Sou Santo e Sou Careta. Esta é Minha Escolha e Sou Feliz com Ela!


“...Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes,
e a palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o Maligno.
Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real,
a nação santa, o povo adquirido,
para que anuncieis as grandezas daquele
que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”.
(I João 2:14b; I Pedro 2:9)


Uma das maiores aspirações na vida cristã é sermos fiéis a Deus enquanto estivermos neste mundo. A maioria dos filhos e filhas do Senhor luta constantemente com a dificuldade de manter, no compromisso com uma nova vida, o padrão proposto nas Escrituras. De uma forma mais intensa, os jovens têm que lidar com a pressão que se estabelece na luta por manter-se fiéis a Deus.
Os valores e os padrões que a Palavra de Deus estabelece e exige do crente em Jesus Cristo, são um desafio diário para todos mas, para um jovem, eles assumem um peso diferenciado. Lidar com uma proposta de vida nos termos bíblicos é, a um só tempo, uma aspiração, um desafio e uma loucura para o jovem que, segundo a forma de viver do mundo, deveria estar aproveitando as coisas próprias da sua idade. Admitir a opção pela virgindade é “pagar o maior mico”, expor-se ao ridículo e ser considerado anormal. Recusar fumar, beber ou drogar-se é causar piedade por não saber aproveitar a vida. Não “ficar” é um desperdício das múltiplas ofertas para dar vazão aos apelos físicos dos hormônios e arriscar ser rotulado como “boiola” para os rapazes. Por todos os meios somos comprimidos e estimulados a abolir os valores e baixar os padrões espirituais.
Contudo, João e Pedro nos chamam a concentrar o nosso foco, não nas pressões e desafios que forçosamente enfrentaremos neste mundo mas, em nossa condição de filhos do Deus vivo e nas conquistas de Jesus para nos dar suporte nestes desafios e no como o Senhor nos ver a partir do sacrifício de Cristo. Estes contemporâneos de Jesus ressaltam o resultado da permanência da Palavra de Deus em nós, afirmando que somos fortes e que por vivenciá-la, vencemos o Maligno. Que Deus mesmo nos escolheu, constituiu, capacitou, tomou para si e nos santificou para servi-lo em pureza de vida e retidão de caráter.
Ser santo, num mundo conformado com todo tipo de impureza – física, moral e espiritual; exige dos filhos de Deus o mais profundo desejo e o mais disciplinado empenho em ser como Ele é. A santidade para o cristão está longe de ser apenas uma aspiração verbalizada em nossas orações ou discursos emotivos. Ela é uma exigência que testa o caráter do crente, ela deve ser modelada a partir da santidade de Deus, porque o padrão requerido dos filhos é o que está estabelecido no Pai. Sendo nosso modelo neste aspecto, Ele nos deu uma ordem que nos orienta a modelar nossa condição de vida pela sua, nos termos do seu caráter. A santidade também é motivada pelo amor dos irmãos. O amor fraternal (não fingido, constante, perseverante) é um vínculo comum, que une todos os justificados e que nos estimula a buscar a santidade. O amor que recebo e devo retribuir, me incentiva a viver sob a perspectiva do amor de Deus por mim, por meu irmão e por meu próximo. A santidade do cristão é amadurecida na união com Cristo, a pedra viva rejeitada pelos homens mas, escolhida e preciosa para Deus. Os filhos de Deus, são também quais outras pedras vivas e elas, unidas a Jesus, são parte da estrutura de uma casa espiritual, uma nova morada para habitação do próprio Espírito Santo.
Neste novo templo, os crentes constituem um sacerdócio santo, com a finalidade de prestar culto a Deus. Cada um é sacerdote em favor de si mesmo (não precisamos de intermediários para nos relacionar ou adorar a Deus) e em favor do outros (crentes ou não) diante do Senhor. Como sacerdote, ele oferece sacrifícios espirituais que se expressam em termos de adoração, submissão, obediência e serviço. No versículo 9 do capítulo 2 de sua primeira carta, o apóstolo Pedro associa BÊNÇÃO e RESPONSABILIDADE, como as duas faces de uma moeda. Embora tenham expressões distintas, elas partilham a mesma essência. A BÊNÇÃO expressa o que chegamos a ser por misericórdia do Senhor: a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido. A RESPONSABILIDADE, requer dos filhos da graça que eles ANUNCIEM em seu tempo, as grandezas daquele que os resgatou das trevas para que eles vivam sob sua luz no reino do seu Filho de amor. Isto me lembra o tema do DESPERTAR 2003 “Jovens Fiéis no Mundo de Hoje” e sua divisa desafiadora: “Pois como poderei ver o mal que virá ao meu povo? E como poderei ver a destruição da minha parentela?” (Ester 8:6). É nossa responsabilidade utilizar a força da nossa juventude para ANUNCIAR as grandezas do nosso Pai, pois somos sua GERAÇÃO ELEITA – Deus nos escolheu como povo para sermos testemunhas da redenção que Ele promoveu; somos o seu SACERDÓCIO REAL – Ele nos constituiu para exercer o sacerdócio, como expressão da nossa cidadania; fomos separados como NAÇÃO SANTA porque o Senhor deseja que nossa vida expresse na nossa adoração e no serviço, sua natureza e santidade; somos seu POVO ADQUIRIDO – Deus nos criou e nos resgatou, para nos ter como sua possessão eterna, porque nos ama profundamente.
Porque compreenderam o significado dessas verdades, João e Pedro nos escreveram, para que definamos os contornos do nosso compromisso com o Deus de toda fidelidade, que exige santidade de caráter em seu filhos.
Ser jovem e ser fiel nestes dias, não é fácil. Mas, é possível para os que escolhem a OBEDIÊNCIA como instrumento para ser SANTO como ELE É!
Que Deus nos dê esta convicção e este nível de compromisso com Ele.

Léa de Souza dos Reis
01 de outubro de 2008;

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

INVESTIMENTO MISSIONÁRIO Uma ferramenta dos bem aventurados


“...mais bem aventurado coisa é dar
do que receber” ". (Atos 20:35b)


O texto transcrito aponta para o inverso da busca do homem em nossos dias. Em se tratando de felicidade, nosso entendimento associa o RECEBER como via de realização. Cremos que se recebermos ficaremos satisfeitos e a satisfação significará felicidade. Contudo, o ”manual bíblico missionário” do Novo Testamento, o livro de registro dos Atos dos apóstolos, nos indica o DAR como instrumento completo de realização.
Por que DAR traz felicidade, se a busca por RECEBER expressa a ausência de satisfação? O que há no DAR para me tornar pleno, realizado, motivado e feliz, se para RECEBER me disponho a lutar, a buscar e a persistir? Muitas seriam as perguntas a fazer se descuidarmos da simplicidade dos alertas da Palavra de Deus, que trazem em suas afirmações paradoxais, segredos da plenitude que todo homem sonha encontrar.
As Escrituras Sagradas e seus autores inspirados registram em suas instruções, afirmações e vivências as “pistas” para chegarmos ao tesouro que chamamos FELICIDADE. Atos 20:35 é a indicação que finaliza a descoberta do segredo desta bem-aventurança.
O missionário sustentador é aquele que descobriu o segredo do ser feliz em DAR-SE:
- Apoiando e incentivando os primeiros passos na consolidação de um chamado; como Ananias e Barnabé fizeram com Paulo (Atos 9:11-30);
- Investindo no preparo dos vocacionados da igreja local, como muitas das nossas igrejas fizeram e fazem;
- Cooperando fielmente para manter o missionário no Campo; como tem feito com Patrícia Almeida da Silva no Radical III em Missões Mundiais;
- Vencendo batalhas com o missionário, de joelhos na presença de Deus, pela oração;
Essa FOI a nossa resposta há um tempo atrás. Qual será nossa resposta HOJE? Há milhões de pessoas aguardando AGORA sua resposta. Quanto você está disposto a DAR para encher, com o nome delas, o LIVRO DA VIDA? Haverá maior nível de satisfação do que este?


Léa de Souza dos Reis
São Luis, 02 de Outubro de 2008.

CONFIE NO NOME DO SENHOR


Quem há entre vós que tema ao Senhor?
ouça ele a voz do seu servo. Aquele que anda em trevas,
e não tem luz, confie no nome do Senhor,
e firme-se sobre o seu Deus.
(Isaías 50:10)

Em que nossa fé se sustenta? Onde está a base de nossa confiança? O que nos faz continuar crendo, mesmo quando a resposta demora? Alguns exemplos nos respondem...

Quando o medo me assalta, Ele diz: Não temas!
Quando me considero incapaz diante de uma tarefa ou missão, Ele me encoraja e me dá segurança; “Esforça-te e tem bom ânimo, não te deixarei, nem te desampararei! (Josué 1:9);
Quando minha mente se enche de preocupações e dúvidas, Ele me consola e me enche de alegria. “Quando a ansiedade já me dominava no íntimo, o teu consolo trouxe alívio à minha alma”. (Salmo 94:19);
Quando estou cercado por todos os lados e não vejo saída, Ele é o meu socorro e me guarda de todo mal. “O meu socorro vem do SENHOR, que fez os céus e a terra... O SENHOR o protegerá de todo o mal, protegerá a sua vida”. (Salmo 121:2,7);
Quando estou lutando e o desânimo me abate, o temor me afetam e as forças me faltam, Ele diz: “Quando você atravessar as águas, eu estarei com você; quando você atravessar os rios, eles não o encobrirão. Quando você andar através do fogo, não se queimará; as chamas não o deixarão em brasas. Pois eu sou o SENHOR, o seu Deus, o Santo de Israel, o seu Salvador...” (Isaías 43:2-3);
Quando preciso de conselho e direção e temo agir em desacordo com a Sua vontade, Ele me diz: "Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar.”. (Isaías 48:17);
Quando o perigo me ronda e temo por minha vida, Ele me lembra: “Mil poderão cair ao teu lado, e dez mil à tua direita; mas tu não serás atingido.” (Salmo 91:7);
Quando estou aflito e ansioso pela satisfação das minhas necessidades, me lembro da sua promessa: “Nunca terão fome nem sede... porque o que se compadece deles os guiará, e os conduzirá mansamente aos mananciais das águas” (Isaías 49:10);
Quando me sinto só, negligenciado e abandonado, medito nestas palavras: “Em ti confiam os que conhecem o teu nome; porque tu, Senhor, não abandonas aqueles que te buscam.” (Salmo 9:10);
Quando penso: O que será do meu futuro? Sua palavra afirma que: “O Senhor já o tornou perfeito, porque Ele não abandona as obras das suas mãos”. (Salmo 138:8)
Quando estou diante do que considero impossível, minha esperança deve se renovar no Deus que afirma sobre si mesmo: “Agindo eu, quem impedirá? (Isaías 43:13) e “Há, porventura, alguma coisa difícil para o Senhor”? (Gênesis 18:14);

Os que exercitam sua fé pela oração, têm sido grandemente abençoados por manterem estreita associação dela com a leitura e a meditação da Palavra de Deus. As promessas de Deus que se cumpriram a favor do seu povo, as afirmações feitas sobre o Seu poder e Sua disposição para abençoar; reforçam a necessidade e a propriedade deste exercício.
Tenho sido sustentada em minha busca por este Deus que deu seu Grande Nome como “penhor” do cumprimento de Sua Palavra, por exercitar minha fé na prática da oração, da intercessão e da leitura disciplinada da Bíblia. Outra oportunidade de ouro para isso tem sido a disciplina de participar das primeiras semanas de cada mês e dos meses inteiros dedicados à oração em nossa igreja. Minha disposição me levou a refinar o meu interesse por pessoas e causas além de mim, a renovar meu compromisso com o serviço aos santos, a perceber que tudo no Reino faz parte e faz sentido – Deus, seu reino, sua igreja, suas obras, suas criaturas e seus filhos. Se ficasse de fora e perdesse essas oportunidades eu, com certeza, estaria mais pobre, mais cega, mais irresponsável, mais egoísta, mais fraca, menos consciente, mais triste, mais incapaz.
Que bom que decidi participar!!! Posso afirmar como o profeta: “Eis que Deus é a minha salvação; eu confiarei e não temerei porque o Senhor, sim o Senhor é a minha força e o meu cântico; e se tornou a minha salvação... Cantai ao Senhor; porque fez coisas grandiosas; saiba-se isso em toda a terra. Exulta e canta de gozo, ó habitante de Sião; porque grande é o Santo de Israel no meio de ti”. (Isaías 12:2,5-6).


Léa de Souza dos Reis
São Luis, 03 de Outubro de 2008.