quinta-feira, 2 de julho de 2009

Quanto Custa a Obra Missionária?


"Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus,
o qual, subsistindo em forma de Deus, (...)
esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo,
tornando-se semelhante aos homens
(...)sendo obediente até a morte, e morte de cruz.(...)
Assim,...desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor;
Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer
Como o realizar...”
(Filipenses 2:5-7.12b-13)

Tenho pensado muito em minha resposta pessoal a essa pergunta. Ela está diretamente associada a algumas atitudes que continuam nos causando muitas dificuldades quando se trata de dar frutos em nossa vida cristã. Obedecer, adorar, confiar e cultuar, muitas vezes, para nós, tem conceitos de particular interpretação e não uma vivência enraizada nos mandamentos do Senhor com o propósito de apresentar-lhe as boas obras, resultados da nossa salvação.
Jesus confiou aos seus discípulos e à sua igreja a tarefa de “fazer ouvir” as boas novas do evangelho, ensinar a guardar (obedecer) todos os seus mandamentos e batizar em nome da Trindade santa, colocando-se como presença e poder comprometidos com a obra de missões. Quando assumimos o desafio de corresponder ao propósito de Deus de que todos ouçam e ninguém se perca; estamos a um só tempo obedecendo, adorando, confiando e cultuando verdadeiramente. Conscientemente assumimos a obra com o custo real que ela exige. Pagar o preço não é uma metáfora, quando fazemos missões. É uma parte importante e constante de amar os perdidos e os que sofrem. O custo da obra missionária é diretamente proporcional à nossa compreensão do que Jesus fez para nos salvar da morte eterna e do que podemos fazer a partir disto “para que ninguém se perca”. Há um preço a pagar, para que todos ouçam. Alguém que sabia disto não mediu os custos para que eu e você ouvíssemos. Jesus espera que nós continuemos a fazer o mesmo a te que todos tenham ouvido da tão grande salvação perada por sua morte e ressurreição.
Mais uma campanha de missões para os batistas brasileiros acontece e neste ano em meio a pressão da crise econômica que ameaça e amedronta os que se concentram nos prognósticos e soluções humanas; fomos desafiados voltar os nossos olhos para aquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos, se apenas nos incluirmos como parte da sua resposta ao clamor das nações. “Usa-me Senhor” é uma frase curta de profundas aplicações. Usa-me Senhor para levantar muros e tapar brechas pela intercessão, enquanto ergues tuas mãos para abençoar. Usa-me Senhor para ir ou enviar aos campos, onde há frutos prontos para ser colhidos. Para mais uma vez, os que semearam com lágrimas e os que regaram com sacrifício a semente plantada juntamente se alegrem com o crescimento que promoveste entre os que agora confessam Jesus como Senhor. Usa-me Senhor para sustentar o envio dos que estão preparados para ir. Para encher de semente as mãos dos que semeiam, para equipar com cestos os que colherão nos campos brancos, com ferramenta os que preparam o solo a ser plantado. Ajuda-me a dar mais, sempre mais, enquanto trabalhas meu entendimento aprofundando a diferença entre gasto que não aproveita e investimento no banco da eternidade, onde cada oferta rende em vidas que povoarão o céu. Usa-me Senhor! Porque se eu terminar os meus dias “gasta” por teres usado tudo o que recebi de ti para que outros conheçam o teu amor, minha vida terá valido a pena. Eis-me aqui, usa-me como parte da resposta que podes dar hoje ao clamor das nações.
Quando tomarmos esta decisão, nada será mais significante e os frutos que esperamos encherão nossas mãos, famílias, casamentos, negócios, despensas, trabalho, profissão, igrejas, vidas, enfim, o reino bendito do nosso Senhor e Cristo. Quanto custa a obra missionária? Para Deus a resposta foi o sacrifício do seu Filho Unigênito. E você, que resposta dará?


Para meus filhos missionários (Leonardo e Pollyana).

quinta-feira, 25 de junho de 2009

“Fazei Prova de Mim...”


“Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada,
sacudida e transbordando vos deitarão no regaço;
porque com a mesma medida com que medis,
vos medirão a vós”. (Lucas 6:38)


Uma das últimas descobertas que fiz ao ler e meditar na palavra de Deus sobre DAR, me levou a repensar nos resultados do gasto e do investimento do dinheiro que me vem às mãos.
Gastar por hábito, impulso ou estímulo sem pensar nos resultados, acaba em frustração ou arrependimento. O dinheiro de um crente em Jesus Cristo deve ser administrado responsavelmente. Ele é resultado da bênção do trabalho que por sua vez é fruto da oportunidade e da vida que Deus dá.
Quando gastamos “sem pensar” o nosso dinheiro, desperdiçamos os resultados que ele poderia gera. Gastar sem refletir é fazer escorrer água num ralo sem finalidade, só pelo prazer de vê-la sair abundantemente da torneira e descer pelo ralo da pia. Você não tira proveito e ainda prejudica alguém que poderia ser beneficiado. A longo prazo, o prejuízo é incalculável. Em se tratando de gasto, desperdiçamos, no mínimo, 50% do que empregamos. Calcule pelo uso de roupas, calçados, equipamentos e comida, considerando que não usamos uma roupa nova 24 horas ou aproveitamos 100% do que comemos... vemos que, proporcionalmente, os resultados não correspondem aos gastos. Por isso as palavras de Jesus passaram a fazer um sentido mais profundo então... “não é a vida mais que o alimento e o corpo, mais do que as vestes?”...”ajuntai para vós tesouros no céu, onde a ferrugem, a traça e o ladrão” não podem causar prejuízo por destruição ou roubo.
Parei, refleti e decidi meus conceitos de gastos e investimentos. Redefini minhas prioridades e redirecionei o uso do dinheiro que nos chega às mãos. Quero enviar para o céu o que pode realmente ser acumulado. Decido investir em vidas, em obras, em suprir o necessário para quem não tem o mínimo, em equipar quem precisa de ferramentas para trabalhar, em alimentar a alma faminta da Palavra, em dessedentar quem não conhece a ÁGUA DA VIDA. Mas, com tristeza, percebo que este tipo de decisão ainda custa muito ao povo de Deus. DAR é um dos verbos mais difíceis de conjugar porque exige que o conjuguemos pela FÉ naquele que permanece fiel. Ainda sonegamos os dízimos e temos dificuldades para ofertar. Preferimos reter 10% do dinheiro que temos, por desconfiança e falta de fé, a entregar descansando na palavra empenhada por Deus: “FAZEI PROVA DE MIM”.
Em 2007 repeti na classe da EBD onde ensino, uma experiência para ilustrar a extensão da ordem bíblica: DAÍ E SER-VOS-Á DADO... convidei um dos alunos e lhe pedi que sentasse em frente a classe. Coloquei sobre a mesa uma caneca grande para café. Enchia-a regiamente com farinha de trigo. Bati a caneca cheia sobre a base, sacudi, derramei mais farinha. A caneca transbordava sobre a mesa e derramou um tanto no chão. Levei-a até ao aluno e despejei sobre seu colo. A farinha espalhou sobre seu colo, cochas, pernas, cadeira e chão. Suas mãos tinham boa quantidade de farinha. Então pedi que ele tentasse juntar o máximo de farinha, repondo-a na caneca e levantasse. Outra surpresa: a caneca não se esvaziou, o aluno estava coberto de farinha e ao seu redor tudo foi, de alguma forma, atingido pelo que derramou.
É assim que creio que acontecesse o ciclo completo do DAR bíblico. O dar confiante do filho de Deus é uma medida de retorno transbordante que nos sacia a ponto de ter para compartilhar sempre e mais, pois damos uma vez e recebemos muitas vezes mais.
A medida foi derramada em nosso colo novamente nestas últimas férias, 15 dias de pura medida transbordante da graça de Deus: passagens aéreas a preço excepcional, traslado até o nosso destino – ida e volta (sem ônus), tratamento principesco para descanso e alimento, tempo de refrigério regado a carinho, atenção, cuidado extremado e comunhão fraterna. Uma criança cede o seu quarto e dorme num colchão durante 15 dias, para abençoar dois adultos que são amigos dos seus pais. Se isso não é “boa medida, recalcada, sacudida, transbordante” deitada no regaço; o que é então? Um detalhe importante, sem gastar um centavo de real.
Servimos a um Deus fiel que zela pelo cumprimento da sua palavra. Ele nos tem dado provas inequívocas disso e continua desafiando o seu povo: FAZEI PROVA DE MIM!

São Luis, 23 de Junho de 2009.
Léa de Souza dos Reis

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

GRAÇA DE DEUS - O PODER DO FRACO


“…ele me disse: a minha graça te basta, porque
o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.
…de boa vontade antes me gloriarei nas minhas
fraquezas… porque quando estou fraco, então é que
sou forte”.
(II Co 12.9,10)

Num mundo em que a regra tem sido a “sobrevivência do mais forte”, como gloriar-se das fraquezas? Por outro lado, sobreviver não é viver. É lutar renhidamente para manter-se vivo. É, mesmo caindo de exaustão, levantar-se para continuar a enfrentar novo combate por um prêmio perecível – a sobrevida. Não a vida em plenitude mas, “matar pra não morrer”.
Pensando no “fraco “aos olhos humanos – digno de pena, desprezo, descaso e descarte. Visto como “alimento para os mais fortes e aptos”. Às vezes usado para suprir a corrida dos superiores. Lembro de parte da letra do meu hino preferido no Cantor Cristão “Não é dos fortes a vitória, nem dos que correm melhor mas dos fiéis e sinceros, como nos diz o Senhor”. O alerta do poeta para os que confiam em suas forças e capacidades, para vencer aos olhos deste mundo alcançando um prêmio perecível é: o custo é a vida e o único lucro possível será sobreviver e ouvir os aplausos temporários, até que surja outro “vencedor”.
Uma das pessoas que exemplifica bem a “loucura do Evangelho para os que crêem”, é o apóstolo Paulo. Aos olhos do seu mundo, e do nosso também, Saulo de Tarso era a personificação do “vencedor”. Rico, culto, cidadão romano, judeu de nascimento, “político”, religioso, confiável. Um líder nato na representação do que o seu povo considerava mais sagrado – o zelo pela Lei. Até sua viagem a Damasco, o embaixador dos inimigos do Caminho considerava-se o primeiro da lista dos vencedores de sua época. Saulo tinha nas mãos autorização para exercer seu poder contra os fracos seguidores de Jesus – prender, castigar, confiscar e o que mais considerasse justo fazer aos infratores da sagrada “Lei de Moisés”, reinterpretada por um certo nazareno chamado Jesus que se dizia em vida, o Messias Prometido, o Libertador de Israel.
A viagem para Damasco seria uma surpresa para os fracos do Caminho nos planos de Saulo. Contudo, o Senhor é expert em frustrar os planos contra seus filhos e, na estrada para Damasco, decidiu chamar a atenção de Saulo sobre sua concepção de vida e suas atitudes como perseguidor declarado do novo Israel, “a menina dos olhos de Deus”. O forte e vencedor Saulo aprenderia de uma só vez o que os doze tiveram três anos para aprender – humildade, dependência, reconhecimento de suas fraquezas e limites, doação, sofrimento, desconfiança, insegurança, julgamento injusto, amor pelo próximo, cessão de direitos para servir Jesus, o Caminho. Saulo possivelmente orgulhava-se do que era – forte, vencedor, superior, um sobrevivente em meio ao mundo dos conquistados de Roma. Entretanto, Jesus o via de um modo diferente “este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis, e os filhos de Israel; eu lhe mostrarei quanto lhe cumpre padecer pelo meu nome.” (Atos 9.15,16)
Aquele encontro, na estrada para Damasco modificou não só a vida de Paulo mas a vida da igreja primitiva e por conseqüência a vida de todos nós, os que cremos. O mesmo Paulo passa de perseguidor a perseguido rapidamente, pois logo após seu batismo o encontramos pregando sobre Jesus na sinagoga em Damasco. O impacto foi tão grande que muitos se convertem e Paulo tem que ser protegido pelos “fracos irmãos do Caminho”, descendo-o em um cesto pelo muro da cidade para que não fosse morto. Obrigatoriamente ele teve que repensar quem era e em quê se tornara após aquele encontro com Jesus.
Algum tempo depois, em sua segunda carta à igreja de Corinto encontramos o resultado desta reflexão, “Mas ele me disse: "Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza". Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim. Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte”. (II Co 12.9,10). Paulo expressa sua nova condição de fraco, de total dependência da graça divina para que nele repousasse o poder de Cristo. Por amor a Cristo, Paulo assume sua nova condição – servo, escravo, disponível completamente para obedecer ao seu Senhor, “Pois alguns dizem: "As cartas dele são duras e fortes, mas ele pessoalmente não impressiona, e a sua palavra é desprezível". (II Co 10.10). Ele levou seu ministério e sua condição às últimas conseqüências (2 Co 11.16 a 33), vivendo tudo pelo único poder do fraco – A Graça de Deus!
A graça de Deus em Cristo marcara a tal ponto a alma do apóstolo e o seu ministério “aos gentios, aos reis e aos filhos de Israel”; conforme o propósito de Cristo “Mas o Senhor disse a Ananias: "Vá! Este homem é meu instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e seus reis, e perante o povo de Israel. Mostrarei a ele o quanto deve sofrer pelo meu nome". (Atos 9.15,16) que das 13 cartas que ele escreveu aos seus filhos na fé (Romanos a Filemon) todas se encerram do mesmo modo “A graça seja convosco”.
“Eu de muito boa vontade gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas”. (Paulo, aos irmãos de Corinto).
Desejo fazer coro com Paulo, repetindo esta declaração de amor às ovelhas da casa de Israel. Amor que só se experimenta pela GRAÇA DE DEUS – o poder dos fracos no exercício do ministério.
No Senhor de toda graça,

Léa de Souza dos Reis
São Luis, 11 de fevereiro de 2009

TEMPO E PRESTAÇÃO DE CONTAS


“Portanto, vede diligentemente como andais,
não como néscios, mas como sábios,
usando bem cada oportunidade,
porquanto os dias são maus.
(Efésios 5:15-16)


Se nos deparássemos com uma loja cujo produto fosse a oferta de tempo, muitos de nós, com certeza, entraríamos numa longa fila para adquirir uma quantidade desse “artigo” tão valioso. Exagero? Então pergunte sobre tal oportunidade a um executivo com a agenda superlotada de compromissos e prazos; a um office-boy com muitas contas a pagar ou entregas para fazer; a um médico ou enfermeiro de plantão na área de emergência de um hospital público ou a uma mãe com filhos pequenos, e com certeza posso dizer, que todos entrariam na fila da suposta loja.
Como estas pessoas, todos nós temos, além das atividades profissionais, funcionais ou familiares, outras tantas que igualmente consomem tempo para serem realizadas. Esta é uma realidade irrefutável, enquanto aquela (a da loja que vende tempo) é produto da imaginação. Contudo, o TEMPO e as RESPONSABILIDADES têm sido nosso argumento preferido para justificar nossa acomodação na vida cristã. Vida devocional (oração, leitura e meditação na palavra de Deus), serviço cristão, edificação,do corpo de Cristo, comunhão com os irmãos, participação das atividades da igreja, adoração entre outros aspectos da vida cristã geralmente não constam da nossa “agenda” de prioridades para o uso do TEMPO disponível ou das RESPONSABILIDADES assumidas. “Se der tempo” ou não houver “outra prioridade”, as práticas relacionadas à vida espiritual serão realizadas, caso contrário, “amanhã” nos ocuparemos delas – normalmente agimos assim no trato com os aspectos pessoais da vida cristã.
Quanto ao serviço cristão, que envolve compromisso de tempo para tornar-se prática responsável; TEM SIDO SACRIFICADO – por só contar com a disponibilidade de alguns, ou PRETERIDO – por não termos tempo sobrando ou estamos sobrecarregados com nossas responsabilidades de vida profissional, estudantil, social e familiar.
Sempre é oportuno refletirmos sobre questões como estas, no contexto da MORDOMIA que temos exercido com relação ao que pertence ao Senhor. Vida, tempo, corpo, bens, família – nada disso é nosso. Estamos nesse mundo por breve tempo. Nascemos e começamos a envelhecer, o que amealharmos nesta vida não vai conosco para a eternidade e a família é formada para cumprir o propósito de Deus neste mundo. Como investimos o “nosso” TEMPO e exercemos RESPONSABILIDADE com o que é de Deus, resulta em riqueza ou pobreza espiritual hoje e na eternidade. Se o Senhor Jesus resolver nos pedir: “presta contas da tua MORDOMIA”, estaremos preparado para tal? Se isso acontecesse, a resposta seria dada em TEMOR REVERENTE ou com MEDO ANGUSTIANTE?
Todos nós sabemos que a vida é frágil e não nos pertence, que a morte pode se tornar fato repentinamente e daí estaremos no lugar onde a FELICIDADE no exercício da MORDOMIA de vida do salvo fará a diferença na prestação de contas ao Senhor de vivos e de mortos. Estamos preparados?

Léa de Souza dos Reis
São Luis, 11 de fevereiro de 2009

JESUS E AS "MÁS COMPANHIAS"


“… estando Jesus à mesa em casa de Levi, estavam também ali
reclinados com ele e seus discípulos muitos publicanos e pecadores;
pois eram em grande número e o seguiam… os escribas dos fariseus
… perguntavam aos discípulos: Por que é que ele come com os
publicanos e pecadores? Jesus,… ouvindo isso, disse-lhes:
Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos;
eu não vim chamar justos, mas pecadores”.
(Mc 2.15-17)

Há muitos “ditos” populares cujo fundamento de verdade tem nos servido de apoio para dificultar sermos “sal e luz” num mundo apodrecido pelo pecado, imerso nas trevas de ignorância da realidade sem Deus.
Quem nunca ouviu: “As más companhias corrompem os bons costumes”, ou “Diz-me com quem andas e te direi quem és”, ou ainda, “Quem com porcos se ajunta, farelos come”? Estes e muitos outros “adágios” populares formam um tipo de cultura que pode estimular entre os seres humanos a prática do pecado (mesmo inconsciente) da acepção de pessoas. Poderíamos pensar que apenas hoje, pela “visão globalizada” da sociedade isto acontece. Contudo, em Eclesiastes encontramos a afirmação – “nada há de novo debaixo do sol” (1.9). Se fixarmos bem nossos olhos sobre o texto de Mc 2.15 a 17, perceberemos a atualidade de alguns fatos e comportamentos.
Um pecador convertido em comunhão com seus novos irmãos e amigos, deseja partilhar com seus familiares e íntimos – pecadores como ele, sua mudança de vida. Grande número de pessoas com a mesma realidade da vida de Levi (ou Mateus) seguiam Jesus e sentiram a vontade de partilhar do momento . Os que consideravam “escandalosa” ou no mínimo inadequada a atitude de Jesus, por se pensarem conhecedores da lei e mais puros que aqueles, questionam indiretamente o Mestre buscando com os discípulos, uma resposta que só cabia a quem era questionado.
Como podemos perceber algumas coisas, atitudes, situações e julgamentos não mudam, continuam a se repetir a despeito da época. O ser humano em geral, hoje e no passado, continua a ignorar a visão de Deus do que realmente é importante no homem criado à Sua imagem e semelhança. Para Deus: o pecador tem mais valor que seus pecados; a restauração do homem é mais importante, que as camadas da sujeira que precisarão ser removidas de sua vida; o quanto o homem pode ser útil no Seu reino hoje, deve ser considerado mais relevante que o tempo que levaremos para considerá-lo “maduro” para tal; todo homem é igual aos Seus olhos porque “todos pecaram” e estiveram ou ainda estão destituídos da Sua glória (Rm 3.23) porque não há nenhum justo (Rm 3.10) ou bom (Mt 19.17).
Ao responder o questionamento dos “justos legalistas”, Jesus vai direto ao ponto: “Os enfermos e não os sãos precisam de médico”, “Eu vim chamar pecadores e não justos”, isto é, [eu não posso curar quem não admite que está doente e não posso perdoar aos que em sua cegueira se consideram justos]. Jesus era seguido aonde ia porque não fazia diferença entre as necessidades e os necessitados, porque por onde andava fazia o bem, porque via além do aparente, porque escolheu baixar à condição humana, sabendo que o objetivo dessa escolha era a glorificação de Deus na salvação da humanidade.
Pensando assim, creio que cada um de nós que aceitou a Cristo como Salvador e Senhor, precisa reescrever alguns adágios que “inocentemente”, afetam nossa visão do outro – irmão ou próximo – e nos estimulam a cometer o pecado da acepção de pessoas.
As más companhias podem corromper bons costumes? Sim! Se o filho de Deus, o salvo por Jesus não for sal e luz onde ou com quem estiver, nas decisões ou atitudes que tomar. Mas se, ao contrário, olharmos como Jesus para cada pecador e não pensarmos de nós mesmos mais do que convém, as “más companhias”, os sós, os enfermos e os pecadores receberão a “manifestação dos filhos de Deus” e saberão o quanto foram amados por Ele e a prova disso somos nós mesmos que, aprendemos a amá-los porque o exemplo do Seu filho nos alerta a cada dia: “Vai tu e faze o mesmo”!

Léa de Souza dos Reis
São Luis, 11 de Fevereiro de 2009