quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

GRAÇA DE DEUS - O PODER DO FRACO


“…ele me disse: a minha graça te basta, porque
o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.
…de boa vontade antes me gloriarei nas minhas
fraquezas… porque quando estou fraco, então é que
sou forte”.
(II Co 12.9,10)

Num mundo em que a regra tem sido a “sobrevivência do mais forte”, como gloriar-se das fraquezas? Por outro lado, sobreviver não é viver. É lutar renhidamente para manter-se vivo. É, mesmo caindo de exaustão, levantar-se para continuar a enfrentar novo combate por um prêmio perecível – a sobrevida. Não a vida em plenitude mas, “matar pra não morrer”.
Pensando no “fraco “aos olhos humanos – digno de pena, desprezo, descaso e descarte. Visto como “alimento para os mais fortes e aptos”. Às vezes usado para suprir a corrida dos superiores. Lembro de parte da letra do meu hino preferido no Cantor Cristão “Não é dos fortes a vitória, nem dos que correm melhor mas dos fiéis e sinceros, como nos diz o Senhor”. O alerta do poeta para os que confiam em suas forças e capacidades, para vencer aos olhos deste mundo alcançando um prêmio perecível é: o custo é a vida e o único lucro possível será sobreviver e ouvir os aplausos temporários, até que surja outro “vencedor”.
Uma das pessoas que exemplifica bem a “loucura do Evangelho para os que crêem”, é o apóstolo Paulo. Aos olhos do seu mundo, e do nosso também, Saulo de Tarso era a personificação do “vencedor”. Rico, culto, cidadão romano, judeu de nascimento, “político”, religioso, confiável. Um líder nato na representação do que o seu povo considerava mais sagrado – o zelo pela Lei. Até sua viagem a Damasco, o embaixador dos inimigos do Caminho considerava-se o primeiro da lista dos vencedores de sua época. Saulo tinha nas mãos autorização para exercer seu poder contra os fracos seguidores de Jesus – prender, castigar, confiscar e o que mais considerasse justo fazer aos infratores da sagrada “Lei de Moisés”, reinterpretada por um certo nazareno chamado Jesus que se dizia em vida, o Messias Prometido, o Libertador de Israel.
A viagem para Damasco seria uma surpresa para os fracos do Caminho nos planos de Saulo. Contudo, o Senhor é expert em frustrar os planos contra seus filhos e, na estrada para Damasco, decidiu chamar a atenção de Saulo sobre sua concepção de vida e suas atitudes como perseguidor declarado do novo Israel, “a menina dos olhos de Deus”. O forte e vencedor Saulo aprenderia de uma só vez o que os doze tiveram três anos para aprender – humildade, dependência, reconhecimento de suas fraquezas e limites, doação, sofrimento, desconfiança, insegurança, julgamento injusto, amor pelo próximo, cessão de direitos para servir Jesus, o Caminho. Saulo possivelmente orgulhava-se do que era – forte, vencedor, superior, um sobrevivente em meio ao mundo dos conquistados de Roma. Entretanto, Jesus o via de um modo diferente “este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios, os reis, e os filhos de Israel; eu lhe mostrarei quanto lhe cumpre padecer pelo meu nome.” (Atos 9.15,16)
Aquele encontro, na estrada para Damasco modificou não só a vida de Paulo mas a vida da igreja primitiva e por conseqüência a vida de todos nós, os que cremos. O mesmo Paulo passa de perseguidor a perseguido rapidamente, pois logo após seu batismo o encontramos pregando sobre Jesus na sinagoga em Damasco. O impacto foi tão grande que muitos se convertem e Paulo tem que ser protegido pelos “fracos irmãos do Caminho”, descendo-o em um cesto pelo muro da cidade para que não fosse morto. Obrigatoriamente ele teve que repensar quem era e em quê se tornara após aquele encontro com Jesus.
Algum tempo depois, em sua segunda carta à igreja de Corinto encontramos o resultado desta reflexão, “Mas ele me disse: "Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza". Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim. Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte”. (II Co 12.9,10). Paulo expressa sua nova condição de fraco, de total dependência da graça divina para que nele repousasse o poder de Cristo. Por amor a Cristo, Paulo assume sua nova condição – servo, escravo, disponível completamente para obedecer ao seu Senhor, “Pois alguns dizem: "As cartas dele são duras e fortes, mas ele pessoalmente não impressiona, e a sua palavra é desprezível". (II Co 10.10). Ele levou seu ministério e sua condição às últimas conseqüências (2 Co 11.16 a 33), vivendo tudo pelo único poder do fraco – A Graça de Deus!
A graça de Deus em Cristo marcara a tal ponto a alma do apóstolo e o seu ministério “aos gentios, aos reis e aos filhos de Israel”; conforme o propósito de Cristo “Mas o Senhor disse a Ananias: "Vá! Este homem é meu instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e seus reis, e perante o povo de Israel. Mostrarei a ele o quanto deve sofrer pelo meu nome". (Atos 9.15,16) que das 13 cartas que ele escreveu aos seus filhos na fé (Romanos a Filemon) todas se encerram do mesmo modo “A graça seja convosco”.
“Eu de muito boa vontade gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas”. (Paulo, aos irmãos de Corinto).
Desejo fazer coro com Paulo, repetindo esta declaração de amor às ovelhas da casa de Israel. Amor que só se experimenta pela GRAÇA DE DEUS – o poder dos fracos no exercício do ministério.
No Senhor de toda graça,

Léa de Souza dos Reis
São Luis, 11 de fevereiro de 2009

TEMPO E PRESTAÇÃO DE CONTAS


“Portanto, vede diligentemente como andais,
não como néscios, mas como sábios,
usando bem cada oportunidade,
porquanto os dias são maus.
(Efésios 5:15-16)


Se nos deparássemos com uma loja cujo produto fosse a oferta de tempo, muitos de nós, com certeza, entraríamos numa longa fila para adquirir uma quantidade desse “artigo” tão valioso. Exagero? Então pergunte sobre tal oportunidade a um executivo com a agenda superlotada de compromissos e prazos; a um office-boy com muitas contas a pagar ou entregas para fazer; a um médico ou enfermeiro de plantão na área de emergência de um hospital público ou a uma mãe com filhos pequenos, e com certeza posso dizer, que todos entrariam na fila da suposta loja.
Como estas pessoas, todos nós temos, além das atividades profissionais, funcionais ou familiares, outras tantas que igualmente consomem tempo para serem realizadas. Esta é uma realidade irrefutável, enquanto aquela (a da loja que vende tempo) é produto da imaginação. Contudo, o TEMPO e as RESPONSABILIDADES têm sido nosso argumento preferido para justificar nossa acomodação na vida cristã. Vida devocional (oração, leitura e meditação na palavra de Deus), serviço cristão, edificação,do corpo de Cristo, comunhão com os irmãos, participação das atividades da igreja, adoração entre outros aspectos da vida cristã geralmente não constam da nossa “agenda” de prioridades para o uso do TEMPO disponível ou das RESPONSABILIDADES assumidas. “Se der tempo” ou não houver “outra prioridade”, as práticas relacionadas à vida espiritual serão realizadas, caso contrário, “amanhã” nos ocuparemos delas – normalmente agimos assim no trato com os aspectos pessoais da vida cristã.
Quanto ao serviço cristão, que envolve compromisso de tempo para tornar-se prática responsável; TEM SIDO SACRIFICADO – por só contar com a disponibilidade de alguns, ou PRETERIDO – por não termos tempo sobrando ou estamos sobrecarregados com nossas responsabilidades de vida profissional, estudantil, social e familiar.
Sempre é oportuno refletirmos sobre questões como estas, no contexto da MORDOMIA que temos exercido com relação ao que pertence ao Senhor. Vida, tempo, corpo, bens, família – nada disso é nosso. Estamos nesse mundo por breve tempo. Nascemos e começamos a envelhecer, o que amealharmos nesta vida não vai conosco para a eternidade e a família é formada para cumprir o propósito de Deus neste mundo. Como investimos o “nosso” TEMPO e exercemos RESPONSABILIDADE com o que é de Deus, resulta em riqueza ou pobreza espiritual hoje e na eternidade. Se o Senhor Jesus resolver nos pedir: “presta contas da tua MORDOMIA”, estaremos preparado para tal? Se isso acontecesse, a resposta seria dada em TEMOR REVERENTE ou com MEDO ANGUSTIANTE?
Todos nós sabemos que a vida é frágil e não nos pertence, que a morte pode se tornar fato repentinamente e daí estaremos no lugar onde a FELICIDADE no exercício da MORDOMIA de vida do salvo fará a diferença na prestação de contas ao Senhor de vivos e de mortos. Estamos preparados?

Léa de Souza dos Reis
São Luis, 11 de fevereiro de 2009

JESUS E AS "MÁS COMPANHIAS"


“… estando Jesus à mesa em casa de Levi, estavam também ali
reclinados com ele e seus discípulos muitos publicanos e pecadores;
pois eram em grande número e o seguiam… os escribas dos fariseus
… perguntavam aos discípulos: Por que é que ele come com os
publicanos e pecadores? Jesus,… ouvindo isso, disse-lhes:
Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos;
eu não vim chamar justos, mas pecadores”.
(Mc 2.15-17)

Há muitos “ditos” populares cujo fundamento de verdade tem nos servido de apoio para dificultar sermos “sal e luz” num mundo apodrecido pelo pecado, imerso nas trevas de ignorância da realidade sem Deus.
Quem nunca ouviu: “As más companhias corrompem os bons costumes”, ou “Diz-me com quem andas e te direi quem és”, ou ainda, “Quem com porcos se ajunta, farelos come”? Estes e muitos outros “adágios” populares formam um tipo de cultura que pode estimular entre os seres humanos a prática do pecado (mesmo inconsciente) da acepção de pessoas. Poderíamos pensar que apenas hoje, pela “visão globalizada” da sociedade isto acontece. Contudo, em Eclesiastes encontramos a afirmação – “nada há de novo debaixo do sol” (1.9). Se fixarmos bem nossos olhos sobre o texto de Mc 2.15 a 17, perceberemos a atualidade de alguns fatos e comportamentos.
Um pecador convertido em comunhão com seus novos irmãos e amigos, deseja partilhar com seus familiares e íntimos – pecadores como ele, sua mudança de vida. Grande número de pessoas com a mesma realidade da vida de Levi (ou Mateus) seguiam Jesus e sentiram a vontade de partilhar do momento . Os que consideravam “escandalosa” ou no mínimo inadequada a atitude de Jesus, por se pensarem conhecedores da lei e mais puros que aqueles, questionam indiretamente o Mestre buscando com os discípulos, uma resposta que só cabia a quem era questionado.
Como podemos perceber algumas coisas, atitudes, situações e julgamentos não mudam, continuam a se repetir a despeito da época. O ser humano em geral, hoje e no passado, continua a ignorar a visão de Deus do que realmente é importante no homem criado à Sua imagem e semelhança. Para Deus: o pecador tem mais valor que seus pecados; a restauração do homem é mais importante, que as camadas da sujeira que precisarão ser removidas de sua vida; o quanto o homem pode ser útil no Seu reino hoje, deve ser considerado mais relevante que o tempo que levaremos para considerá-lo “maduro” para tal; todo homem é igual aos Seus olhos porque “todos pecaram” e estiveram ou ainda estão destituídos da Sua glória (Rm 3.23) porque não há nenhum justo (Rm 3.10) ou bom (Mt 19.17).
Ao responder o questionamento dos “justos legalistas”, Jesus vai direto ao ponto: “Os enfermos e não os sãos precisam de médico”, “Eu vim chamar pecadores e não justos”, isto é, [eu não posso curar quem não admite que está doente e não posso perdoar aos que em sua cegueira se consideram justos]. Jesus era seguido aonde ia porque não fazia diferença entre as necessidades e os necessitados, porque por onde andava fazia o bem, porque via além do aparente, porque escolheu baixar à condição humana, sabendo que o objetivo dessa escolha era a glorificação de Deus na salvação da humanidade.
Pensando assim, creio que cada um de nós que aceitou a Cristo como Salvador e Senhor, precisa reescrever alguns adágios que “inocentemente”, afetam nossa visão do outro – irmão ou próximo – e nos estimulam a cometer o pecado da acepção de pessoas.
As más companhias podem corromper bons costumes? Sim! Se o filho de Deus, o salvo por Jesus não for sal e luz onde ou com quem estiver, nas decisões ou atitudes que tomar. Mas se, ao contrário, olharmos como Jesus para cada pecador e não pensarmos de nós mesmos mais do que convém, as “más companhias”, os sós, os enfermos e os pecadores receberão a “manifestação dos filhos de Deus” e saberão o quanto foram amados por Ele e a prova disso somos nós mesmos que, aprendemos a amá-los porque o exemplo do Seu filho nos alerta a cada dia: “Vai tu e faze o mesmo”!

Léa de Souza dos Reis
São Luis, 11 de Fevereiro de 2009